Não sei como eu não pensei nisso antes: uma página mais voltada ào desenho em si, com pequeninas dica-lhes, amigos-lhes., para ocêis se tornarem-se os desenhista tão ruins quanto nóis!
E aí você me pergunta: Como você, que desenha feito uma toupeira anêmica de cabeça pra baixo com os olhos vendados, mete-se a dar-nos dicas, seu energúmeno?…
É que acho que eu, enquanto desenhista amador, posso colaborar, caro cartunista, tatuador, grafiteiro, mangaká y congêneres, com vossa sapiência. Além do quê, há um número a meu favor: desenho há 21 anos. Claro, como amador total, só tendo aspirações maiores a partir de 2001, com a descoberta do Herbie BearClaw (atualmente sem site), e no começo de 2005, com a descoberta de Jen Seng. Fora descobertas mais recentes, como AGI, MightyOtaking, Dave Hernandez, Steven Sanchez e Ishoka. Mas, caramba, são 21 anos mesmo! Eles, eu sei lá há quanto tempo (se algum deles quiser responder nos comentários…)
Então, sei lá, entende?
Aliás, esses 21 anos poderiam ter sido muito mais. Assistia ao programa de Daniel Azulay na Band – o “clássico”, lá no começo dos anos 80. Só que não desenhava nadica de nada, só quando as prophessoras pediam. Descobriria isso muitos anos depois, já na pré-adolescência, primeiro sozinho e depois através da influência de colegas de escola.
Então, vamos às primeiras dicas! Crianças, silêncio nas sala!
- Muitos condenam o desenho em cadernos pautados. Canetas Bic, então?… Meus amigos, há 21 anos eu não faço outra coisa. Só pasei a desenhar em sulfite desde que comprei scanner. E por quê? A pauta é um referencial para as proporções dos desenhos. No sulfite, isso desaparece, e digamos, aí você mesmo terá de fazer algo do tipo… por exemplo, um referencial seriam linhas na horizontal, vertical e diagonais, como uma “bandeira do Reino Unido”.
Tá, não é tão ruim assim, mas às vezes, um caderno universitário é mais baratim…
Ah sim, talvez tenha gente, criada à leite com pera e ovomaltino, que também tenha torcido o nariz ao ouvir falar de “Papel sulfite”. Pra mim, se não é papel higiênico usado, tá valendo! A gente tem que se virar e desenvolver um padrão mínimo, que posteriormente, possa ser amplificado através do uso de materiais mais ideais, como lápis de gradações B ou H, papel canson, borrachas mais adequadas, etc, ouviu, Christian Pior?…
Minto: há uns 6 meses estou usando canetas de nanquim descartáveis da Staedtler. Mas ainda gosto de usar lápis ‘número 2′!
- De vez em quando, experimente fazer os traços no sentido contrário ao que você faria normalmente. Em vez de fazer um traço do começo ao fim, e fazer o seguinte a partir desse fim, experimente fazer o traço seguinte se encontrar com o começo do primeiro. Enfim, isso é mais ou menos desenhar kanjis sem os kanjis e sem a outra metade disso, que é o lance da pressão variável! (eu, pessoalmente, busco ter um traço por igual). Se você tiver mais paciência do que eu pra phazer isso, parabienes, é mais ou menos por aí!
- A dica mais manjada de desenho que eu vejo por aí é “desenhe muito”. Sinceramente, dois pontos, travessão: até hoje, 21 anos depois, tenho dúvidas se é por aí… Acho que já desenhei muito na minha vida, e, no entanto, ói aí, que coisa mais horrenda. Este é um assunto que dá pano pra manga. E pra cartoon também. Em momentos de desespero, achei que o desenho era uma atividade espiritual.
Mas pensando melhor… não, gente… é só uma forma de escrita sem letras. O que eu busco é, então, melhorar a “caligrafia”. Estão aí os hieróglifos do Egito que não nos deixam mentir. Aquilo é muito mais “desenho” do que os kanjis, tidos como responsáveis pelo traço infalível de tantas pessoas que me tiram o sono.
ANIMAÇÁÁÁO!!
- Durante muitos anos eu acreditei que os animadores (daqueles, de desenho animado, ôeee) tinham a incrível capacidade de fazer dois desenhos idênticos só olhando alternadamente por entre duas folhas de papel. Já tentei isso e fracassei miseravelmente.
Mas não é nada disso, caro colega. Se você viu na televisão uma série de folhas de papel, caindo uma em cima da outra, com animações desse tipo, a explicação é simples. Elas foram RETIRADAS de outro lugar: as presilhas que existem na MESA DE LUZ, onde são desenhadas dois a dois (ou três, sei lá). E colocadas em um “romeu-e-julieta” específico para isso.

Os caras se guiam pela luz, que torna visíveis os desenhos que estão atrás, com a opacidade suficiente para o cara não se confundir – já tentei fazer isso com papel vegetal e me confundi todo.
E a mesa que estamos falando não é a mesma usada para fotografia e desenho simples, essas não tem presilhas. Se bem que o lance das presilhas pode ser contornado, ainda mais se a sua animação será posteriormente passada para o computador. Acabo, inclusive, de adquirir uma mesa de luz desse segundo tipo.
Depois de um exaustivo dia de trabalho – DIZEM que a média de um animador (não sei com quantos frames por segundo – em animes geralmente são 12 fps) é fazer cerca de 10 segundos de animação – eles colocam todos os desenhos em um suporte (que lembra um fichário sem capa) e fazem, no olhômetro, um ligeiro teste para ver se a animação está dando certo. Por incrível que pareça, há casos em que a animação pode, mesmo com todo o inefável conhecimento e talento dos profissionais, não convencer!! Os melhores animadores, portanto, são os que acertam essas coisas logo de cara.
Já ouvi falar que estúdios de animação considerados pequenos no Japão tinham 30 funcionários. Não sei se esse é o número efetivo de animadores, isto é, a galera que desenha com lápis mesmo, ou se é o total de pessoas envolvidas, incluindo arte-final e colorização, que para um bom fluxo de trabalho, deveria em tese ser em igual número que os primeiros. (Estou falando em termos da velha guarda, a única informação que eu tenho de animação computadorizada em 2D é que eles usam Photoshop para colorizar os desenhos, de resto…)
Por enquanto é isto, em breve, temos mais. Dispensados, classe…
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