“Deixa rolar que vai, deixa rolar que vem
Fantasia na cabeça todo mundo tem” (Beto Barbosa, o profeta)
Sabe aqueles personagens fantasiados da Disney? Que passam algumas horas no calor, passando alguns apertos para deixar criancas físicas e crianças mentais phelizes?…
Acredite, há quem deseje a vida um tanto penosa que eles levam. Mas com um motivo diferente: o de encarnar seus alter-egos furries. Não é exatamente o meu caso, mas eu acho deveras interessante. São os fursuitters. Uma bela matéria pra qualquer programa dominical, inclusive o Pânico na TV (agora que eles vão ter uma equipe fixa nos Estados Unidos…) acho que o Fantástico já cobriu uma convenção dessas, em 1995.
Fursuit é como eles chamam as roupas que representam furries – aquela galera que não tem penas, manja?… Há também o termo scalesuit, para dragões e dinossauros. A DIFERENÇA é que, enquanto o funcionário do parque dá umas de ator, o fursuit é, digamos, como se fosse ele próprio, portanto a Turma da Rosalyn e eu, caso venha a vestir algum de meus próprios personagens, não serão o caso.
Essa subdivisão da arte do cosplay – embora, na maioria absoluta dos casos aborde o cosplay original – ainda tem poucos adeptos no Brasil. Digamos que dê para contar nos dedos da mão do presidente, e isso se ele fosse um desenho animado! Em recentes discussões em fóruns especializados, o pessoal alega os altos custos e o calor como impeditivos do desenvolvimento mais forte de fursuits no Brasil. E sequer se considera o fursuit parcial (apenas cabeça, mãos e pés, sendo o resto roupas convencionais). E, sinceridad, às vezes uma lágrima tem vontade de escorrer pelos olhos – os meus, que não são de plástico – quando eu vejo o grau de desenvolvimento à que isso vem chegando no resto do mundo.
Nos EUA, criou-se uma grande infra-estrutura, mais forte do que a que atende cosplayers aqui no Brasil. Aqui, há oficinas especializadas em cosplays, como a Dona Tereza Atelier. Mas, nas minhas andanças por essa Internet véia sem portêra (e que Deus a mantenha assim), eu achei pelo menos 3 empresas, de porte pequeno a médio, que atendem fursuitters.
E COMO atendem… É de chorar. Era capaz de algum empresário maluco (como o que criou o sentai brasileiro Mega Powers) só ir lá nos iuessêi, encomendar uns 4 ou 5 personagens e criar um programa infantil que deixaria Chucha no xinelo. Ela que, inclusive, contracenou com personagens como esses nos Estados Unidos em 1993. E o programa lá não fez sucesso. E aqui, será que faria?…
- A Savage Turtle Studios tem um portfólio de serviços um pouco mais amplo do que apenas fantasias. Eles executam desenhos de boa qualidade de personagens que não nasceram assim (geralmente fursonas, a maioria delas não tem estilo definido, só uma descrição do tipo “eu sou um gambá roxo de listas azuis”, algo assim), além de model sheets dos personagens criados pelos clientes, que podem até usá-las para orientar outros fornecedores. Isso non ecsíste aqui no Brasil – quem sabe passe a existir depois deste post… Se você tem condições, bola pra frente, o meu negócio é a Salt Cover enquanto futura produtora de animação e vídeo.
- Em Beastcub Creations, o cara já perdeu a conta de quantos personagens já confeccionou. É uma turma muito mais numerosa que a galera de WDW. Mas aqui o lance vai mais pro lado da fantasia surrealista. E com algumas novidades deveras-mega-interessantes (acho que é a coisa mais interessante que eu já postei em blogs): alguns personagens são quadsuits, isto é, personagens que andam de quatro, e isso é algo que pode surpreender as pessoas à nivel Chris Angel, quase um pré-infarto, digamos assim, pela desenvoltura. Por exemplo: cavalos ‘fake’ com essas fantasias podem ser MONTADOS. Unicórnios, dragões, etc… então, nem se fala. E tudo com apenas uma única pessoa na fantasia.
O golpe de mestre são pernas de pau usadas nas mãos, que corrigem a proporcionalidade dos animais que se pretende imitar. Tá, nem tanto: cavalos parecem pôneis. Mas que funciona, funciona!
(A propósito, pelo que conste, até agora em WDW só se tem notícia de um único personagem fantasiado que anda assim, sem suas mãos estarem disponíveis, o elefante Coronel Hathi.) Essas pernas de pau são feitas para aguentar o peso do intérprete sobre elas.
Outra coisa bem interessante é o truque usado às vezes nos olhos, que são (aqui, entre nós…) côncavos. Resultado, em fotos, parece que eles estão sempre virados pra direção certa, é incrível! Além da iluminação não dar reflexo, dando a impressão de ser um desenho animado. Não tente copiar essa, acho que eles devem ter registrado isso de alguma forma. Portanto é o único site que eu vi até agora que bolou uma maneira para os olhos se moverem, mesmo que seja ilusão de ótica. Ah, um opcional muito interessante também é a iluminação nos olhos, com LEDs… isso praticamente não existe ainda em fantasias profissionais como as da… Disney (a menos que alguém de lá seja aficcionado por blogs e saiba português). - Na Mixed Candy, tocada por um casal, eles trabalham pesado, na casa deles, em períodos de 3 em 3 meses, algo assim, tendo como base “manequins de silver tape” enviados pelos usuários. Embora eu ache os personagens muito parecidos uns com os outros, esses aqui são os mais simpáticos de todo este post. Alguns personagens conseguem abrir a boca, e parece que de forma bem versátil, o padrão deles é o rosto do personagem coincidir com o rosto do intérprete (tem fantasias que o pessoal enxerga pela ‘boca’ ou pelo ‘pescoço’ do personagem).
E quantos personagens eles fizeram, eu veria mais se eu não escrevesse estas tortas linhas as 4 da manhã… (Em breve, links mostrando destaques dessa galera). Detalhe,<ChristianPior> atenção, ricos e excêntricos do Brasil, eles atendem encomendas do exterior!… </ChristianPior>
Ah, até conhecida nossa está aqui, e tão bem feita quanto os desenhos que sua criadora faz! É, e o coração bate forte…
E encerramos com uma história surpreendente: a de Tani, uma leoa cinza, que por incrível que pareça, foi feita por sua própria autora, que diz não levar muito jeito pra coisa, porém até que ela se saiu muito bem , construindo uma roupa que a boca abre a partir da boca real de sua intérprete (esse método eu não conhecia…), com direito a cooler (desses de computador) na cabeça! (Fantasias profissionais tem isso, operado por mini-baterias de 12 volts – detalhe, as da Mixedcandy não tem isso). E não bastando isso, ela construiu o que eu chamo de uma personagem forte, o fursuit é muito melhor que os desenhos…
Bem, phinalizando, uns comentários de Léo Batista. Ah, que bom seria (se esse Igor C. Barros fosse pra Bahia) se os meus personagens pudessem estar entre o portfólio de alguma dessas empresas… Falta dinheiro e cara-de-pau. Quer dizer, nem tanto, é que os meus personagens são ligeiramente desproporcionais por natureza e por minha culpa mesmo. No entanto, essa desproporção, em tese, facilitaria com que suas futuras roupas tenham a proporção exata deles próprios, com eles sendo talvez apenas um pouco maiores do que seriam na “realidade”. Algo que até hoje eu nunca vi, e sei lá se eu vou viver pra ver isso, ou sequer ter tempo e dinheiro para tentar alguma coisa com isopor, plástico PETG e soprador térmico… é isso que dá ficar vendo Mitibâsters da vida.
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